Desenvolvimento pessoal
Você provavelmente já ouviu falar em Open Banking. Mas e o Open Insurance?
Enquanto o sistema financeiro avançou na abertura de dados bancários, o mercado segurador brasileiro trilha um caminho semelhante, com impactos que vão além das seguradoras e chegam direto ao dia a dia das corretoras de seguros.
O Open Insurance representa uma das transformações estruturais mais significativas do setor em décadas. Não se trata de uma tendência distante: é uma mudança regulatória em curso, conduzida pela SUSEP, que redefine como dados de seguros são compartilhados, como produtos são distribuídos e qual é o papel da corretora de seguros nesse novo ecossistema.
Se a sua corretora de seguros ainda não começou a entender o que esse movimento significa na prática, este artigo é o ponto de partida.
Open Insurance é um modelo regulatório que permite o compartilhamento padronizado e seguro de dados entre participantes do ecossistema de seguros, como seguradoras, corretoras de seguros, plataformas e o próprio segurado, mediante o consentimento do titular.
A lógica é a mesma que impulsionou o Open Banking no sistema financeiro: tirar os dados dos silos de cada empresa e permitir que circulem de forma controlada pelo consumidor. Se no Open Banking o cliente pode autorizar que seu banco compartilhe seu histórico financeiro com outra instituição, no Open Insurance o segurado pode autorizar que sua seguradora compartilhe seu histórico de apólices, sinistros e coberturas com outro participante do mercado.
No Brasil, o projeto é liderado pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), em alinhamento com as diretrizes do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo de modernização regulatória do setor, que inclui também a revisão de marcos de conduta, distribuição de produtos e interoperabilidade de sistemas.
A implementação segue uma estrutura de fases progressivas, partindo do compartilhamento de dados de produtos e canais até chegar ao compartilhamento de dados de clientes e serviços transacionais. Esse modelo gradual permite que o mercado se adapte sem rupturas abruptas, mas exige que os participantes acompanhem a evolução com atenção.
O Open Insurance brasileiro foi estruturado em etapas progressivas, cada uma ampliando o escopo do que pode ser compartilhado entre os participantes do sistema.
A lógica de progressão parte do mais simples para o mais complexo. Nas primeiras etapas, a obrigação é de disponibilizar dados abertos sobre produtos, canais de atendimento e informações institucionais, ou seja, informações que as seguradoras e participantes já tornavam públicas de outras formas. Isso representa o alicerce técnico: criar as interfaces padronizadas (APIs) que vão sustentar as etapas seguintes.
As fases subsequentes avançam para o compartilhamento de dados de clientes, sempre mediante consentimento explícito do segurado. É aqui que o tema começa a impactar diretamente as corretoras de seguros: quando um segurado pode autorizar que seu histórico de apólices e sinistros seja acessado por outro participante, o cenário competitivo muda de forma estrutural.
A etapa mais avançada prevê serviços transacionais, ou seja, a possibilidade de iniciar processos como cotações, endossos ou portabilidade diretamente entre sistemas, sem que o segurado precise navegar por múltiplos portais.
O ponto crítico aqui é este: o cronograma do Open Insurance tem passado por ajustes desde o início da implementação. Antes de comunicar qualquer prazo ou fase específica para clientes, parceiros ou internamente, recomenda-se consultar o site oficial da SUSEP ou do OPIN (Open Insurance Brasil) para garantir que as informações estejam atualizadas.
O Open Insurance não é neutro para as corretoras de seguros. Ele reconfigura as condições em que a intermediação acontece, e isso pode representar tanto risco quanto oportunidade, dependendo da postura adotada.
Portabilidade de dados do segurado.
Com o avanço das fases do Open Insurance, o segurado passa a ter mais controle sobre seu próprio histórico. Ele pode autorizar que informações sobre suas apólices vigentes, sinistros anteriores e perfil de risco sejam compartilhadas com outras seguradoras ou plataformas de cotação. Para a corretora de seguros, isso significa que fidelizar um cliente não será mais uma questão de inércia ou dificuldade de migração: será uma questão de serviço e relacionamento genuíno.

Novos canais de distribuição.
O Open Insurance cria as condições técnicas para que produtos de seguros sejam distribuídos por uma gama muito mais ampla de canais: plataformas digitais, aplicativos, marketplaces e agregadores. Isso pode ampliar o alcance de corretoras de seguros que souberem se posicionar como distribuidoras ágeis, mas também aumenta a concorrência com canais diretos e plataformas que operam em escala.
Acesso a histórico de apólices.
Um dos impactos menos discutidos, mas bastante relevantes, é a possibilidade de acessar o histórico de apólices de um prospect durante o processo de cotação, com o consentimento dele. Isso transforma a proposta: em vez de recomeçar do zero com cada novo cliente, a corretora de seguros bem preparada pode apresentar ofertas muito mais aderentes ao perfil real do segurado.
Padronização de dados e processos.
O Open Insurance exige que as informações trafeguem em formatos técnicos padronizados. Corretoras de seguros que ainda operam com sistemas fragmentados, planilhas e processos manuais vão encontrar crescente dificuldade em se integrar a esse ecossistema. A maturidade digital da corretora de seguros deixa de ser uma vantagem competitiva e passa a ser um requisito de operação.
A preparação para o Open Insurance não começa com tecnologia: começa com clareza estratégica. Antes de avaliar sistemas, é preciso entender o que a sua corretora de seguros quer ser nesse novo ecossistema.
Entenda a jornada digital do seu cliente.
Mapeie como o seu cliente interage com a corretora de seguros hoje: quais são os pontos de contato, onde há fricção, onde a experiência poderia ser mais fluida. O Open Insurance vai acelerar as expectativas dos segurados por conveniência e personalização. Corretoras de seguros que já estão atentas a essa jornada chegam com vantagem.
Revise seus processos de dados.
Faça um diagnóstico de como sua corretora de seguros coleta, armazena e usa dados dos clientes. Isso é relevante tanto para a conformidade com a LGPD, que estabelece as bases legais para o compartilhamento, quanto para estar tecnicamente preparado para participar de um ecossistema onde os dados precisam estar organizados e acessíveis de forma segura.
Avalie a integração dos seus sistemas.
Um dos maiores riscos para corretoras de seguros no cenário do Open Insurance é a fragmentação tecnológica. Se as informações de apólices, clientes, comissões e renovações estão espalhadas por sistemas que não se comunicam, a corretora de seguros não estará em posição de aproveitar as oportunidades que o compartilhamento de dados vai criar, nem de atender às exigências que as seguradoras e o ambiente regulatório vão progressivamente impor.
Capacite sua equipe para um novo modelo de relacionamento.
O Open Insurance vai transferir parte do controle da relação de seguros para o próprio segurado. O corretor que se posicionar como consultor de confiança, e não apenas como canal de cotação, será muito mais difícil de substituir do que aquele que compete apenas em preço e agilidade de emissão.
Acompanhe a evolução regulatória.
O cronograma do Open Insurance tem sido ajustado desde sua implementação, e novas fases trazem novas obrigações. Designar alguém na corretora de seguros para acompanhar as publicações da SUSEP e do OPIN é uma medida simples com impacto relevante.
O Open Insurance pressupõe que os sistemas das corretoras de seguros sejam capazes de se conectar com seguradoras, plataformas e, futuramente, com o próprio segurado. Isso não é possível com operações fragmentadas.
A Quiver by Dimensa atua com mais de 33 anos de experiência no ecossistema de seguros, e suas soluções de gestão foram construídas sobre uma arquitetura de integração, com conexões com seguradoras, APIs abertas para sistemas externos e módulos que cobrem toda a cadeia operacional da corretora de seguros. Esse histórico de integração é, hoje, um ativo estratégico para corretoras de seguros que precisam se posicionar para o cenário de interoperabilidade que o Open Insurance vai consolidar.
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O que é o Open Insurance? É um modelo regulatório coordenado pela SUSEP que permite o compartilhamento padronizado e seguro de dados do ecossistema de seguros, mediante consentimento do segurado, entre seguradoras, corretoras de seguros e outras plataformas. O objetivo é aumentar a transparência, a portabilidade e a competição no mercado.
Qual a relação entre Open Insurance e Open Banking? Os dois movimentos seguem a mesma lógica: dar ao titular o controle sobre seus próprios dados e permitir que eles circulem de forma segura entre participantes credenciados. O Open Banking avançou no sistema financeiro e o Open Insurance aplica esse modelo ao mercado de seguros, previdência e capitalização.
O que muda concretamente para as corretoras de seguros? As principais mudanças são: o segurado passa a ter mais mobilidade e controle sobre seu histórico de apólices; novos canais de distribuição digital ganham força; e a integração técnica entre sistemas se torna progressivamente um requisito, não mais uma vantagem opcional.
Como a corretora de seguros deve se preparar? O primeiro passo é estratégico: entender qual papel a corretora de seguros quer ocupar nesse ecossistema. Na prática, isso se traduz em mapear a jornada do cliente, organizar os processos de dados em conformidade com a LGPD, avaliar a maturidade dos sistemas de gestão e capacitar a equipe para um modelo de relacionamento baseado em consultoria e confiança.
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